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Há 50 anos, ‘Tubarão’ chegava aos cinemas; relembre curiosidades do primeiro blockbuster da história
De produção conturbada a clássico absoluto: saiba tudo sobre uma das obras-primas de Steven Spielberg

Nesta sexta-feira (20), um dos maiores blockbusters da história, responsável por uma das trilhas sonoras mais inesquecíveis do cinema e por fazer o mundo temer o mar, completa 50 anos.
Dirigido por Steven Spielberg, um dos diretores mais premiados da história do cinema, “Tubarão” acompanha uma série de ataques a banhistas que indicam que a pacata praia da cidade de Amity virou o território de caça de um enorme tubarão-branco. Enquanto o prefeito tenta esconder os fatos da mídia, o chefe de polícia local pede ajuda a um oceanógrafo e de um experiente pescador para caçar o animal. Mas a missão vai ser mais complicada do que eles imaginavam.
“Tubarão” estreou nos Estados Unidos em 20 de junho de 1975. No Brasil, o longa chegou aos cinemas em pleno Natal, em 25 de dezembro, do mesmo ano.
Marcando 50 anos desde a sua estreia, nós, da Ingresso.com, homenageamos esta lenda do cinema relembrando algumas curiosidades sobre o filme:
1 – PRIMEIRO BLOCKBUSTER DA HISTÓRIA
Hoje o termo blockbuster é amplamente utilizado ao nos referirmos a superproduções do cinema. Mas, o que muitos não sabem é que ele foi criado em 1975 por causa de “Tubarão”.
Na sua tradução literal, blockbuster, significa “arrasa-quarteirão”, uma referência direta às filas quilométricas que se acumulavam em torno de quarteirões dos cinemas que exibiam o longa.
“Tubarão” foi o primeiro filme da história a arrecadar mais de US$ 100 milhões em bilheteria, tornando-se o longa mais lucrativo da época e inaugurando uma nova era para a indústria cinematográfica.
2 - LANÇAMENTO FORA DE ÉPOCA
Originalmente previsto para lançamento em dezembro de 1974, o filme teve de ser adiado para junho de 1975, devido aos inúmeros atrasos na produção.
Curiosamente, antes do sucesso de “Tubarão”, o meio do ano nos Estados Unidos era conhecido como o período em que os estúdios jogavam suas piores produções, já que por ser a época do verão norte-americano, muitos preferiam atividades ao ar livre.
Com o sucesso estrondoso de “Tubarão” essa regra mudou para sempre. Desde então, o verão se tornou a temporada mais aguardada do ano para os grandes lançamentos de Hollywood.
3 – PROBLEMAS QUE FIZERAM UM CLÁSSICO
A produção de “Tubarão” foi marcada por desafios intensos. O próprio Spielberg já afirmou diversas vezes que não faria o filme se recebesse uma segunda chance. Grande parte das filmagens foi feita no Oceano Atlântico, exigindo paciência para lidar com o enjoo da equipe em alto mar, a espera por barcos à vela saírem de cena para filmagens, e os atrasos provocados por correntes marítimas.
O maior desafio, porém, foi o próprio tubarão mecânico - apelidado de Bruce pelo próprio Spielberg, em homenagem ao seu advogado. O animatrônico apresentava defeitos constantes, afundava com frequência e não parecia realista o suficiente. A ideia do cineasta, então, foi esconder a presença do tubarão o máximo possível, apenas sugerindo a presença dele, ao invés de uma exposição direta. No geral, o antagonista da história, só aparece em cena por quatro minutos durante todo o longa.
A ausência do predador em diversas cenas, alinhadas a trilha sonora impactante de John Williams (‘Star Wars’ e ‘Superman - O Filme’) criaram a atmosfera de tensão constante, transformando-se numa influência duradoura para todas as futuras produções cinematográficas.
4 – OUTROS NOMES PARA O ELENCO
O policial Martin Brody, o oceanógrafo Matt Hooper e o pescador veterano Quint ficaram imortalizados nas mãos de Roy Scheider (‘Operação França’), Richard Dreyfuss (‘RED: Aposentados e Perigosos’) e Robert Shaw (‘Golpe de Mestre’), respectivamente. Porém, antes disso, outros nomes foram considerados para interpretar o trio nas telonas.
Atores como Robert Duvall (‘O Poderoso Chefão’) e Gene Hackman (‘Superman: O Filme’) foram considerados para o papel de Brody. O nome que chegou mais perto, contudo, foi o de Charlton Heston (‘Ben-Hur’), Spielberg, contudo, optou pela não contratação, já que Heston construíra uma imagem heroica em “Terremoto” (1974), o que o cineasta imaginou que tiraria a credibilidade do perigo representado pelo tubarão.
Dreyfuss ainda era um ator novato quando viveu o oceanógrafo Hooper em “Tubarão”. Antes da escolha dele, o personagem foi oferecido a nomes como Jeff Bridges (‘Coração Louco’), Jon Voight (‘O Campeão’) e Dustin Hoffman (‘Kramer vs Kramer’). Já o papel do pescador Quint quase teve a forma de Robert Mitchum (‘Círculo do Medo’) e Oliver Reed (‘Gladiador’), que recusaram a oferta.
5 – BASEADO EM UM LIVRO E INSPIRADO EM UMA HISTÓRIA REAL
“Tubarão” é baseado no livro homônimo escrito por Peter Benchley. Richard Zanuck e David Brown, produtores na Universal Pictures, descobriram a história por meio da esposa de Brown, editora da Cosmopolitan: uma crítica do livro publicada na revista era concluída com “pode dar um bom filme”, e a afirmação deu origem à ideia.
Benchley, contudo, se inspirou em eventos reais para criar a narrativa do romance, especialmente uma série de ataques de tubarão ocorridos em 1916, na costa de Nova Jersey, que deixaram cinco vítimas - quatro fatais. Ele também se baseou no pescador Frank Mundus, famoso por capturar tubarões-brancos em Long Island, e que serviu de inspiração para o personagem Quint.
O próprio escritor participou da elaboração do roteiro, assinando os primeiros rascunhos que, depois, passaram pela revisão de Carl Gottlieb (‘O Homem das Cavernas’). Benchley até mesmo participou em um pequeno papel nas telonas, atuando como um repórter de televisão.
Mesmo após cinco décadas, “Tubarão” continua impressionando por sua criatividade, tensão narrativa e impacto cultural duradouro. As curiosidades por trás da produção mostram como limitações técnicas e decisões criativas ajudaram a criar um dos maiores clássicos do cinema e transformá-lo num sucesso atemporal, que segue assombrando e fascinando novas gerações até hoje.
