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Matrix | A história do filme como uma alegoria sobre transição de gênero

Matrix | A história do filme como uma alegoria sobre transição de gênero

Irmãs Wachowski passaram pelo processo, e inseriram metáforas que representam algumas de suas experiências com a transgeneridade

Mariana Assumpção
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Quando Matrix (1999) chegou aos cinemas, o mundo estava prestes a ingressar em um novo milênio. As vésperas desta virada, inundadas de expectativas e incertezas, foram marcadas por uma avalanche de sentimentos - dentre eles, destacavam-se o medo e a esperança. Embora aparentemente antagônicas, as sensações foram motivadas pelos significativos avanços tecnológicos, o temido "bug do milênio" e o crescimento, a passos de formiga, dos espaços - físicos e virtuais - dedicados à discussão de pautas identitárias.

Comparado ao início da década, naquele período, o planeta não era mais o mesmo. Como exemplo, temos a despatologização da homossexualidade, retirada da Classificação Internacional de Doenças (CID) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 1990; Nelson Mandela assumindo a presidência da África do Sul em 1994 e sacramentando o fim do Apartheid, regime discriminatório em vigor no país desde a década de 1940, entre outros momentos que mudaram a história da humanidade.

Contudo, embora muitos avanços sociais tenham ocorrido desde então, mais de duas décadas após o lançamento de Matrix, as pautas sobre questões de gênero e sexualidade ainda seguem escassas em nossa sociedade. À época da estreia, no entanto, o assunto mantinha-se praticamente invisibilizado.

Lilly e Lana Wachowski, criadoras do universo Matrix, são mulheres transgêneras, o que significa que ambas não se identificam com o gênero o qual lhes foi designado ao nascer. A dupla, durante o desenvolvimento da história, lidava em paralelo com as descobertas, preconceitos e desafios impostos às suas condições.

É inegável a potência inerente ao universo Matrix, principalmente no que diz respeito a questionamentos filosóficos e existenciais. Embora o filme seja envelopado por aparatos high-tech e disserte, a princípio, sobre a guerra entre humanos e máquinas, um mergulho mais profundo em seus signos e significados torna possível uma visão muito mais alinhada à vida pessoal de suas criadoras.

Desde os anúncios públicos a respeito da transição de Lana e Lilly - ocorridos em 2012 e 2016, respectivamente -, os fãs comentam sobre os momentos, personagens e situações de Matrix que poderiam compor uma alegoria sobre transgeneridade.

Alguns exemplos são as pílulas oferecidas ao Escolhido, representando os gêneros binários e a hormonização, processo presente na vida da maioria das pessoas trans; a mudança de alcunha do protagonista, que passa a se chamar e reconhecer-se como Neo, assumindo uma identidade nova - ou adormecida. São muitos detalhes que, naturalmente, acabaram sendo associados a questões de gênero.

Vale salientar que, na época do lançamento do longa original, Lilly e Lana ainda não haviam revelado sua transgeneridade - mais claramente, ainda se apresentavam socialmente como homens cisgênero. Mas no ano passado, 21 anos após a estreia do filme, Lilly Wachowski afirmou que sim, a saga de Neo foi originalmente pensada como uma alegoria trans.

Em entrevista à Netflix, que pode ser acompanhada no vídeo acima, Lilly disse estar muito alegre pelo filme ter se tornado bastante significativo na vida de pessoas travestis, transgêneras e transexuais, e que se sente incrivelmente grata pelo fato de que a narrativa da produção se mantenha como um agente de mudança e auxílio até os dias atuais:

"Fico feliz que as pessoas estejam falando sobre os filmes Matrix com uma narrativa trans. Eu amo como essas produções são significativas para pessoas trans, e a forma que elas chegam até mim e dizem: 'Esses filmes salvaram a minha vida'. Porque quando você fala sobre transformação, especificamente no mundo da ficção científica, que é apenas sobre imaginação, você baseia a construção de mundo na ideia do que é aparentemente impossível tornando-se possível. Acho que é por isso que [Matrix] fala tanto com eles, e estou muito feliz por poder ajudá-los em suas jornadas", comemorou Lilly.

Quando questionada sobre a verdadeira mensagem por trás do filme, e sobre as especulações feitas durante os anos que sucederam a estreia, a cineasta confirmou o que muitos já haviam notado:

"Estou feliz que tenha vazado, pois esta era a intenção original, mas o mundo não estava totalmente pronto ainda, em termos corporativos. O mundo corporativo não estava pronto para isso", afirmou Lilly, referindo-se às questões de gênero e sexualidade abordadas metaforicamente na produção. "Nós tínhamos o material de Matrix, e tudo era sobre o desejo de transformação. Porém, tudo partia de um ponto de vista fechado, então tínhamos o personagem Switch, que era como alguém que seria um homem no mundo real e depois uma mulher na Matrix. E, você sabe que, ambos estavam... onde nossos [ela e Lana] pensamentos estavam naquele momento", concluiu, relembrando o período no qual ela e a irmã refletiam sobre suas identidades.

Lilly revelou, ainda, que o universo da ficção científica e a mitologia de Matrix também foram uma maneira de expressar, através da arte, a natureza queer da dupla:

"Acho que isso nos libertou como cineastas porque fomos capazes de imaginar coisas que, naquela época, você não necessariamente via na tela. Uma das coisas que realmente gostamos de fazer foi uma espécie de flexão de gênero, onde você teria elementos de filmes de kung fu, anime e faroeste. Eu penso em nossa transgeneridade e nas nossas características queer, estávamos sempre tentando incorporar a maior quantidade de coisas possível".

Assistindo à antiga trilogia e ao novo filme da saga, é possível perceber que o legado de Matrix vai muito além dos efeitos visuais inovadores, dos questionamentos sobre o avanço desenfreado da tecnologia e das inteligências artificiais, e do modo como enxergamos a alteridade - a história propõe um olhar sobre nós mesmos, enquanto indivíduos carregados de nuances e de identidades, infinitamente plurais.

Matrix Resurrections, mais recente produção sobre a saga de Neo, é uma nova oportunidade de entender o que aconteceu a personagens que acumulam uma legião de fãs, como Thomas Anderson (Keanu Reeves), Trinity (Carrie-Anne Moss) e Niobe (Jada Pinkett Smith). A eles, juntam-se rostos inéditos na franquia, interpretados por Jessica Henwick, Yahya Abdul-Mateen II, Neil Patrick Harris, Priyanka Chopra e Jonathan Groff.

O filme, dirigido por Lana Wachowski, chega nesta quarta-feira (22) às salas de cinema do Brasil - garanta o seu ingresso para o longa através do nosso site ou app.

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