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'Jurassic Park': 30 anos após a estreia, como o filme mudou a história do cinema e da cultura pop?
Longa já foi a maior bilheteria de todos os tempos e revolucionou a sétima arte
O futuro e o passado exercem um verdadeiro fascínio sobre a humanidade. Projetar o que está por vir e desvendar os mistérios de um mundo ancestral são algumas das temáticas mais populares de produtos audiovisuais, como filmes, séries e animações.
Sabendo disso, é possível imaginar como o público reagiria a algo que, em sua essência, conseguisse aliar as maravilhas da modernidade aos primórdios mais exóticos e desconhecidos da nossa História?
De forma consciente ou não, essa amálgama foi um dos diferenciais de "Jurassic Park - Parque dos Dinossauros" (1993), que este mês completa 30 anos de estreia nos cinemas.
E foi a inspiração nos escritos de Michael Crichton, mesmo autor de "Westworld", que tornou essa receita possível: parques temáticos e ultratecnológicos, conflitos éticos entre humanos e suas criações e um mergulho no passado foram os ingredientes principais do livro de Crichton, cuja história mudaria os rumos do cinema para sempre.
UM T-REX REVOLUCIONOU A COMPUTAÇÃO GRÁFICA

As criaturas jurássicas, coestrelas do longa, já haviam sido retratadas em inúmeras ocasiões, mas nunca de uma forma tão realista quanto a vista no filme.
Encantado com a obra de Crichton, o cineasta Steven Spielberg decidiu tirar esse universo mágico do papel de uma forma única, amparado por todos os recursos que a Universal Pictures poderia oferecer à época.
Com isso, várias equipes foram responsáveis por animar os storyboards, construir dinossauros animatrônicos em escalas gigantescas, além de revolucionar uma técnica ainda pouco explorada na sétima arte noventista: a computação gráfica.
Em entrevista à Netflix, Steve "Spaz" Williams e Mark Dippé revelaram que, a princípio, a pré-produção considerou utilizar stop motion e robôs para dar vida aos dinossauros. Contudo, os movimentos das criaturas animadas não eram tão realistas quanto os produtores esperavam, e os animatrônicos não atendiam a todas as necessidades.
Assim, o que poderia ser feito para que fosse possível trazer os dinossauros de forma convincente para as telonas?
Foi então que a Industrial Light & Magic, de George Lucas, foi contratada para ajudar. Williams e Dippé trabalhavam na empresa, e precisavam suavizar os movimentos do stop motion já produzido, tornando-os mais naturais.
Porém, a dupla dedicada decidiu inovar: utilizando as técnicas já conhecidas de computação gráfica, eles programaram uma breve sequência do Tiranossauro Rex caminhando na grama, e a exibiram para Spielberg, George Lucas e outros grandes nomes envolvidos no projeto:
"Eu não estava lá, não fui convidado, mas dizem que o George Lucas chorou", diverte-se Spaz, o “pai do T-Rex", ao lembrar da primeira vez que o seu trabalho foi visto pelos produtores.
No documentário "The Making of Jurassic Park", o próprio Spielberg previu: "Daqui a 10 anos, essa tecnologia vai ser incrível" - e ele mal poderia imaginar que, em pouco tempo, algumas produções seriam inteiramente realizadas com o auxílio da computação gráfica.
OS DINOSSAUROS INSPIRARAM A CIÊNCIA…
"A vida imita a arte", já dizia Oscar Wilde. Porém, mesmo que "Jurassic Park" tenha apresentado um mundo esteticamente realista, pode ser difícil imaginar a possibilidade de realmente trazer dinossauros de volta à vida.
Ainda assim, a magia do cinema incentivou milhares de pessoas a seguir os estudos da Paleontologia, ciência que estuda os seres vivos que já habitaram a Terra, seus costumes, vestígios e como eles se relacionam com a vida que existe em nosso planeta atualmente.
Em 1993, houve um aumento significativo nas pesquisas relacionadas ao tema. Na semana de lançamento do longa, a revista Nature publicou um artigo sobre a extração e sequenciamento do DNA de um inseto, preservado em âmbar por mais de 125 milhões de anos - bem semelhante aos fatos apresentados no filme.
Até Jack Horner, paleontólogo que atuou como consultor científico de "Jurassic Park", parece ter sido beneficiado pelo seu sucesso: ele recebeu uma bolsa de estudos no mesmo ano, o que ajudou a financiar sua pesquisa sobre o DNA de dinossauros.
… E INVADIRAM A COREIA, DANDO ORIGEM AO K-POP
Os assuntos podem parecer desconexos, mas, acredite, "Jurassic Park" foi um grande incentivador do crescimento da indústria de entretenimento sul-coreana e, por consequência, do gênero musical mais popular do país.
Em 1993, as salas de cinema de todo o mundo estavam lotadas, e o público ansiava assistir ao filme que trazia a pré-história para os dias atuais. Na Coreia do Sul o fenômeno se repetiu, e a maior bilheteria de todos os tempos (sendo superada apenas 4 anos depois, por "Titanic") chamou a atenção do governo.
Os lucros do filme foram maiores que os da Hyundai, a gigante indústria automotiva sul-coreana. A bilheteria milionária fez acender um alerta e, partindo da premissa que um produto cultural poderia gerar uma receita tão expressiva, os investimentos na indústria começaram a crescer exponencialmente:
"[A Coreia do Sul] passou a investir em cinema, música e teatro, construindo auditórios gigantes e até regulamentando os famosos noreaebangs (bares de karaokê) de Seul, para proteger a propriedade intelectual do K-Pop", afirma um artigo do The Times.

Depois de "Jurassic Park", que também se tornou um fenômeno graças aos talentos de Laura Dern, Sam Neil, Jeff Goldblum e do saudoso Sir Richard Attenboroug, uma franquia ajudou a expandir o sucesso e, até o momento, apenas os filmes já arrecadaram mais de 6 bilhões de dólares nas telonas.
Produções como "Avatar" (2009), que ocupa o primeiro lugar no pódio das maiores bilheterias da história, não seria possível sem que "Jurassic Park" abrisse as portas para um novo jeito de fazer cinema: um jeito criativo, ousado e mágico, que transformou para sempre a história e os rumos da indústria do entretenimento mundial.
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