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Wagner de Assis e Carol Castro falam sobre fé, reencontros e o futuro da saga ‘Nosso Lar’; confira
Filmagens do terceiro capítulo da franquia foram concluídas recentemente; veja a entrevista
Quase quinze anos após emocionar o público com seu lançamento, a saga “Nosso Lar” continua expandindo seu universo cinematográfico.
Inspirada nas obras psicografadas por Chico Xavier, a franquia já soma impressionantes R$ 67 milhões arrecadados em bilheteria – um evidente reflexo do interesse crescente do público por histórias que dialogam com temas como acolhimento, transformação, profundidade emocional e temática religiosa.
Intitulado “Nosso Lar 3 – Vida Eterna”, o próximo capítulo promete mergulhar nas experiências do Umbral e nas missões de resgate realizadas pelos espíritos que atuam em nome do amor e da evolução, tanto dos que partem quanto dos que permanecem.
Para celebrar o início dessa nova fase, a Ingresso.com visitou o set de filmagem do longa e entrevistou o diretor Wagner de Assis – que retorna à função após os sucessos anteriores –, e Carol Castro, talento encarregado de interpretar Zenóbia, uma das personagens centrais do filme. Logo no início da conversa, a atriz comentou sobre a coincidência de contracenar novamente com Fábio Assunção, após a icônica parceria recente na televisão:
“Zenóbia resgatando Domênico já é uma missão linda por si só e, por ironias do destino – nada é por acaso –, o Wagner acabou me escalando junto do Fábio logo após ‘Garota do Momento’. Então, ainda existe essa curiosidade de continuarmos trabalhando depois de quase um ano juntos. Não tem como a gente fugir de piadinhas fazendo essa referência”, contou Carol, citando a novela da Rede Globo na qual a dupla contracenou.

O cineasta, por outro lado, revelou que a escolha não se deu com base na novela, mas que a sintonia entre os dois se provou um grande acerto:
“Quando o Fábio leu [o roteiro] e disse: ‘Eu quero fazer’, vi que era perfeito para o Domênico. Eu não sabia do sucesso deles na novela, descobri conforme a gente foi compondo. Quando eu descobri que a relação deles na novela estava funcionando, pensei: ‘Perfeito, a gente tem dois atores incríveis’. Acho que daí a decisão ficou menos difícil, e não porque depende de talento – isso a gente tem de sobra. É difícil porque escalar é assim mesmo. Aí, quando a química acontece, a magia vem. Eu estou muito feliz com o que os dois estão entregando, assim como o restante do elenco, tudo absolutamente sincronizado”, explicou Wagner
Este, no entanto, não foi o único reencontro marcante nos bastidores: Carol e Wagner já haviam trabalhado juntos em “Ninguém é de Ninguém” (2023) – longa baseado na obra de Zíbia Gasparetto. A dupla celebrou a retomada da parceria, desta vez em um projeto mais ambicioso e emocionalmente carregado:
“Escalar é uma das coisas mais difíceis do mundo. É uma decisão para sempre. Quando eu lia o livro ‘Obreiros da Vida Eterna’, no qual o filme se baseia, eu conseguia ver claramente o potencial desses dois personagens, o Domenico e a Zenóbia. Isso me pedia atores muito potentes, emocionados e interessados em se entregar plenamente. Eu já tinha feito um filme com a Carol, o ‘Ninguém é de Ninguém’, que a gente foi muito feliz. Ele ainda repercute muito (...) então, eu sabia muito bem para onde eu conseguia levar a Carol. Tínhamos uma série de ideias e combinações”, relembrou o diretor.
“Ele [Wagner] é uma pessoa iluminada e generosa (...) às vezes ele bota uma música, lê alguma coisa ou reza conosco, sempre pedindo permissão e agradecendo. A gente sabe que é importante, o quanto é nobre o que fazemos e a importância para cada um. Tudo se torna muito especial quando você se une, pois cada um é uma peça de uma engrenagem e ela só funciona bem se o coletivo estiver em harmonia. Ele [Wagner] consegue criar essa atmosfera, essa linguagem. Querendo ou não, trata-se de indústria e arte, tem cena para fechar, tempo limitado... ele tem uma comunicação de olhar – a gente já se conhece também – (...) uma maneira de se expressar muito generosa e respeitosa”, compartilhou Carol.

Eles ainda ressaltaram o simbolismo da personagem Zenóbia e o impacto que a história pode provocar ao reverberar os ensinamentos de Chico Xavier para novos espectadores:
“Interpretar Zenóbia é uma missão muito mágica, especial. Eu sou muito honrada porque ela representa esse sagrado feminino que trabalha, cuida, acolhe, fala que só o amor é eterno. A mensagem do filme, além da vida, é de que nós somos amor e temos que passar ele para o próximo, o amor de todos os tipos. Nesse caso envolve uma questão romântica, no sentido Zenóbia e Domênico, sobre resgate, trabalho em equipe nessa casa transitória e de todos que fazem parte dela, quem está no umbral... somos resgatistas, seres evoluídos, iluminados que trabalham em prol dessa esperança de que as pessoas acreditem no seu livre arbítrio, de que tudo passe e pode mudar. Para sair do umbral você precisa tirar o ele de dentro de você. Isso quer dizer pedir ajuda, querer ser resgatado e sair desse lugar”, pontuou a atriz.
“A potência do livro, o trabalho do Chico Xavier e do André Luiz, que são duas pessoas muito corajosas, um do ponto de vista da mediunidade e o outro do ponto de vista de entregar, depois de morrer, a sua própria história, toda a sua investigação. O trabalho do Chico é um legado ainda a ser descoberto no Brasil. Então, o que a gente faz é tentar tirar dali boas histórias e levá-las para o cinema para que todas as pessoas possam ouvir. Estou feliz e espero que a gente continue sendo bem-sucedido pela frente”, complementou Wagner.
Diante da responsabilidade de dar continuidade a uma série consagrada, o diretor explicou que o processo envolve mudanças constantes, aprendizado contínuo e decisões alinhadas à atualidade:
“Uma franquia de sucesso é uma responsabilidade maior. A gente começou a perceber isso. Sempre tem mudanças. A gente vai aprendendo com o tempo, com o público, pelo fazer. Porque cinema é uma arte que quanto mais você fizer, te possibilita querer alcançar mais. Não quer dizer que você esteja dominando plenamente. As escolhas de agora são decorrentes dos tempos atuais, do sucesso anterior e de inúmeros fatores que culminam com em como o filme será apresentado, o terceiro da franquia”.

Para “Nosso Lar 3 – Vida Eterna”, Wagner e Carol destacaram, respectivamente, o uso inovador de um gigantesco painel de LED em alta definição como uma das tecnologias adotadas para potencializar a narrativa:
“São ferramentas incríveis. O LED é espetacular, mas ele não substitui a boa história, né? E muito menos a inteligência artificial. Mas são ferramentas muito boas e perfeitas que nos possibilitam ampliar o nosso espectro de realização”.
“A gente está trabalhando com uma tecnologia completamente nova para todos, principalmente nós aqui brasileiros (...) uma outra linguagem que, de certa forma, também tem o tempo dela. Tem a renderização, a profundidade, o ângulo certo... é um palco praticamente, quase que um espetáculo. Falando com o Fábio, a gente se olhou (...) com esse led absurdamente maravilhoso, lindo e tenebroso ao mesmo tempo, e falou: “Isso aqui é teatro!”. É uma mistura de teatro com cinema, com essa tecnologia e com todo esse trabalho lindo em equipe, onde cada um está trabalhando, fazendo a sua parte com muito amor, com muita dedicação, com muita gratidão”.
Refletindo sobre o processo de desenvolvimento do filme, Wagner e Carol descreveram como o conteúdo espiritual ecoou para além da ficção, impactando o cotidiano pessoal e profissional de toda a equipe:
“Lendo o roteiro, filmando, conversando com as pessoas da equipe ou com os atores, cada fala, cada palavra é muito bem escolhida, e isso toca diariamente cada um de nós. A vida é essa eterna transformação, essa aprendizagem, estamos sempre em evolução. Esse filme com certeza me fez pensar sobre muitas coisas, no banho, chegando da filmagem, no carro, no set. É um filme que tem justamente essa missão e te toca profundamente, tem a senha. Ele vai lá em lugares às vezes que a gente estava até deixando adormecido. Isso é muito louco”, falou a intérprete de Zenóbia.
“As pessoas me perguntam o que mais espiritual acontece num set de cinema (...) eu tenho uma resposta que é meio clichê: a câmera. Quando ela liga, muita coisa acontece na frente. A manifestação de arte é muito bacana. Tudo que a gente faz, se for de verdade, se for correto, é impresso de alguma maneira no filme que você está fazendo. Então, as orações que a gente faz, as atuações, a sintonia de equipe (...) tudo, incluindo as dificuldades do caminho, contribui para que a gente vá ficando forte. É um processo longo traduzir o que você escreveu para a tela de cinema. (...) Houve o caso de uma borboleta enorme que voou no set inteiro, ficou pousada nos três cantos do LED e pronto. Essas coisinhas vão se somando e (...) quase todo dia eu me emociono vendo as cenas”, disse o diretor.

Por fim, para aumentar ainda mais a expectativa dos fãs, o diretor antecipou os detalhes sobre o próximo projeto – e como ele promete superar os limites já explorados pelas produções anteriores da franquia:
“O próximo trabalho é contar a história do Emmanuel, o mentor do Chico Xavier. Mas a gente não vai contar apenas a história de uma vida, vamos muito além: falar dos últimos dois mil anos desse espírito (...) uma história de amor entre ele e Lívia, baseada nos livros do Emmanuel e em algumas vidas relatadas, tudo sob o olhar espiritual de uma coisa só. É um grande desafio que vem pela frente. Haja figurante, haja figurino, haja cenário, porque se passa em Roma Antiga, aqui no Brasil do século 16 – que é ele como o padre Manoel da Nóbrega –, em Uberaba. Então tem muita coisa para acontecer e o projeto já está nascendo”, finalizou Wagner.
“Nosso Lar 3 – Vida Eterna” ainda conta com outros nomes de peso em seu elenco, como Othon Bastos, Renato Prieto, Anna Kutner, Dandara Albuquerque, Caio Scot, Gerson Barreto, Vandré Silveira, Alex Brasil, Gustavo Pace, Cadu Libonati, Rod Carvalho, Talita Castro. Demais informações do novo longa, como previsão de lançamento do trailer ou data de estreia nos cinemas ainda não foram divulgadas.
