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‘Michael’: o que é verdade e o que é ficção na cinebiografia do Rei do Pop?
Do sucesso do Jackson 5 até o acidente no comercial da Pepsi, filme que conta a trajetória do cantor Michael Jackson já está nos cinemas

Com estreia marcada para a próxima quinta-feira (23) e pré-estreias acontecendo a partir desta terça-feira, 21 de abril, “Michael”, cinebiografia do Rei do Pop, promete chamar atenção do público e dos fãs do artista.
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Estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, o longa acompanha a história de Michael para além da música, traçando sua trajetória dentro e fora dos palcos.
Levando a vida de Michael Jackson para as telonas de forma dramática, o filme mistura acontecimentos reais da trajetória do artista com alguns elementos criados especialmente para a narrativa. Afinal, o que retrata a verdade e o que é ficção em “Michael”?
[ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DE “MICHAEL”]
1 | RELAÇÃO DE MICHAEL JACKSON E DOS IRMÃOS COM O PAI

Um dos pontos mais explorados no longa é a relação do artista com seu pai, Joe Jackson – interpretado pelo indicado ao Oscar, Colman Domingo (‘Sing, Sing’). Embora o filme mostre Michael sendo punido fisicamente apenas em algumas ocasiões, o próprio cantor revelou que os episódios de violência eram mais frequentes.
Em entrevista para o documentário “Living with Michael Jackson” (2003), o artista relembrou:
“Era mais do que apenas o cinto; podiam ser cordas, o que quer que estivesse por perto. Ele nos jogava contra a parede e batia o mais forte que podia. Ele perdia a paciência... Eu era tão rápido que, na maioria das vezes, ele não conseguia me pegar. Mas, quando ele pegava, era terrível.” [via People].
Outro aspecto que o filme mantém é o fato de que nenhum dos filhos chamava Joe de pai, apenas de Joseph. Embora o longa não explique o motivo, o próprio Joe comentou sobre isso em uma entrevista:
“Tínhamos todas essas crianças, correndo, chamando de “pai, pai, pai”, me parecia engraçado. Não me importava com o que eles me chamavam, apenas que ouvissem o que eu tinha a dizer para fazer da vida deles um sucesso.” [via People]
2 | DESCOBERTA DO JACKSON 5, CONTRATO COM A MOTOWN E A MENTIRA SOBRE A IDADE
Durante o filme, o grupo Jackson 5 é descoberto pela executiva Suzanne de Passe, que assiste a uma apresentação do grupo dos bastidores e fica impressionada com o talento de Michael, entregando seu cartão para Joe.
A história é parcialmente real. Suzanne de Passe realmente existiu e foi essencial para que o grupo assinasse com a Motown Records. A diferença é que ela conheceu os irmãos durante uma apresentação a capella na casa de Bobby Taylor, para quem o grupo estava abrindo shows na época.
Após a assinatura do contrato, contudo, a gravadora decidiu que Michael deveria se apresentar como alguém mais novo. No filme, o empresário pede que o menino minta sua idade de 10 para 8 anos. Já na vida real, a Motown pediu que Michael dissesse que seus 11 anos eram, na verdade, 9. A verdadeira idade do artista só foi revelada entre 1975 e 1976, quando ele se mudou para a Epic Records.
3 | RELAÇÃO DE MICHAEL COM BILL BRAY

Uma das relações exploradas no filme é a de Michael com Bill Bray, seu chefe de segurança. Na cinebiografia, o personagem, interpretado por KeiLyn Dureel Jones, é retratado não apenas como um protetor do artista, mas também como um confidente e amigo próximo. A história é inspirada na relação real entre os dois.
Bill trabalhou como chefe de segurança de Michael de 1971 até 1996, acompanhando o cantor desde a era do Jackson 5 até às suas turnês solo. Mesmo após deixar o cargo por aposentadoria, os dois continuaram bastante próximos.
Quando Bray faleceu, em 2005, Michael escreveu uma carta emocionada em homenagem ao amigo:
“Obrigado por ser meu pai. Eu não sei o que teria acontecido comigo se você não estivesse por perto. Te amo – MJ”.
4 | RELAÇÃO COM OS ANIMAIS

Um aspecto bastante conhecido da vida de Michael era seu amor por animais, os quais ele considerava verdadeiros amigos. No longa, vários deles aparecem vivendo na casa da família em Encino, mostrando mais da ligação do artista com seus companheiros.
Entre alguns dos animais apresentados no filme, estão Ben, o ratinho que inspirou a música homônima; a lhama Louie; sua jiboia, Muscles; e também Bubbles, o chimpanzé que se tornaria um dos animais mais famosos associados ao cantor.
5 | PRIMEIRA CIRURGIA PLÁSTICA
O filme apresenta a primeira cirurgia plástica no nariz de Michael como uma decisão estética, sugerindo inseguranças do artista em relação à própria aparência.
Na vida real, porém, Michael afirmou que sua primeira rinoplastia ocorreu após um acidente de dança em 1979, quando quebrou o nariz ao colidir com outro dançarino durante um ensaio.
6 | DESPEDIDA DE JOE JACKSON DO CARGO DE EMPRESÁRIO
Após contratar John Branca como novo advogado, lançar “Thriller”, estrear o passo Moonwalk e ganhar sete Grammys, Michael decidiu iniciar uma nova fase na carreira, o que incluía demitir o pai do cargo de empresário. No filme, o artista faz isso via fax, algo que realmente aconteceu na vida real.
Segundo o livro “Michael Jackson: The Magic, The Madness, The Whole Story”, do biógrafo J. Randy Taraborrelli, Michael enviou um fax ao pai, comunicando-o sobre sua demissão.
A diferença é que, enquanto no longa, Michael é confrontado por Joe, na vida real o cantor levou um conselheiro para acompanhá-lo no encontro com o pai.
7 | O IMPACTO DE MICHAEL JACKSON NA MTV

Embora não seja dito explicitamente, o filme sugere que Michael foi o primeiro artista negro a ter um clipe exibido na MTV, o que não é totalmente correto. No entanto, sua importância para a emissora foi histórica.
Na época, artistas negros como Stevie Wonder, Donna Summer, Tina Turner e Prince, tinham seus clipes exibidos ocasionalmente, normalmente apenas em seu debute. Com o lançamento de “Billie Jean”, porém, a situação mudou: Michael se tornou o primeiro artista negro a ter seus videoclipes exibidos com frequência na MTV, abrindo caminho para muitos outros.
No longa, logo após essa cena, o artista aparece na rua onde ficava sua gravadora, subindo em um carro enquanto os fãs o cercam. A sequência é uma licença poética, inspirada em um momento que ocorreu em 1990, quando Michael subiu em um carro em Londres, após sair do museu de cera da Madame Tussauds.
8 | DEUS PODERIA DAR IDEIAS AO PRINCE
Durante uma cena na piscina com os irmãos, Michael aparece de olhos fechados e parado, sem tomar partido nas brincadeiras da família. Questionado por que ele não estava se divertindo, Michael responde que não podia, pois precisava estar pronto para receber inspiração de Deus, caso contrário, “Ele poderia dar as ideias ao Prince”.
A fala é quase que uma citação direta a uma entrevista do artista à revista Vulture, em que ele afirmou que precisava estar sempre preparado e anotava tudo o que vinha à sua cabeça: caso contrário, Deus podia repassar as ideias ao Prince.
9 | GANGUES RIVAIS NO CLIPE DE “BEAT IT”
A sequência da criação de “Beat It” mostra Michael assistindo a uma reportagem sobre gangues rivais em conflito, o que o inspira a compor a icônica música.
Não há registros de que uma reportagem em específico tenha inspirado a canção, no entanto, Michael cresceu em Gary, Indiana, uma cidade marcada por violência e guerras entre gangues, o que pode ter inspirado o cantor.
Em entrevista ao portal Boards, o diretor do vídeo, Bob Giraldi, contou que Michael convenceu integrantes dos Crips e dos Bloods a participarem da gravação:
“Michael fez tudo. Ele foi lá e os convenceu de que, com presença policial, seria a coisa certa a se fazer [...] Michael sempre foi sobre paz”.
Outra licença poética do filme neste momento, é quando Michael cria passos de dança para o clipe. Embora ele tenha participado de muitas coreografias de sua carreira, “Beat It” foi inteiramente coreografado por Michael Peters. [via True Michael Jackson]
10 | ACIDENTE COM O COMERCIAL DA PEPSI
Em 1984, durante a gravação de um comercial para a Pepsi ao lado de seus irmãos, Michael sofreu um acidente pirotécnico que causou queimaduras de segundo grau em seu couro cabeludo. A empresa pagou cerca de US$ 1,5 milhão em indenização, valor que o artista doou integralmente para o hospital onde foi tratado.
Apesar de mostrar o acidente, sua repercussão e a doação, o longa não menciona que, posteriormente, o hospital criou o Centro de Queimaduras Michael Jackson, em homenagem ao cantor.
Produzido por meio de uma colaboração entre Lionsgate e GK Films, o longa-metragem conta com um roteiro assinado por John Logan, indicado ao Oscar por seus trabalhos em “Gladiador” (2000), “O Aviador” (2004) e “A Invenção de Hugo Cabret” (2011).
Diversos outros talentos, como Nia Long (Katherine Jackson), Jessica Sula (La Toya Jackson), Liv Simone (Gladys Knight), Kendricj Sampson (Quincy Jones) e Milles Tellers (John Branca) compõem o elenco. Juliano Krye Valdi é quem interpreta o protagonista em sua fase mais jovem.
Com direção de Antoine Fuqua (‘O Protetor’), “Michael” estreia oficialmente em 23 de abril nos cinemas – garanta seus ingressos antecipados por meio de nosso site ou app.
