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‘O cara do asfalto virou um artista do teatro lírico’, diz Thiago Soares sobre sua cinebiografia - Ingresso.com
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‘O cara do asfalto virou um artista do teatro lírico’, diz Thiago Soares sobre sua cinebiografia

Intitulado ‘Um Lobo Entre os Cisnes’, filme sobre o bailarino brasileiro estreia hoje nos cinemas; veja a entrevista

Guilherme Thomaz
24/07/2025 | 18:48Atualizado em: 24/07/2025 | 19:03
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‘O cara do asfalto virou um artista do teatro lírico’, diz Thiago Soares sobre sua cinebiografia

Combinando lirismo, potência urbana e uma jornada real de superação, “Um Lobo Entre os Cisnes”, cinebiografia do bailarino Thiago Soares, estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas do Brasil.

Dirigida por Marcos Schechtman e Helena Varvaki, o longa, estrelado por Matheus Abreu, promete impactar o público ao revelar os detalhes por trás da trajetória inspiradora de Thiago, desde sua juventude, criado no meio do hip hop e da cultura de rua, até se tornar uma das figuras mais renomadas no cenário mundial do balé.

Em entrevista à Ingresso.com, o quarteto envolvido no projeto compartilhou memórias e reflexões sobre o processo criativo por trás do filme. Logo no início da conversa, Marcos recordou o momento em que ouviu diretamente de Thiago os detalhes de sua trajetória – especialmente sobre a relação intensa com seu exigente mentor, Dino Carrera, que viria a se tornar o eixo central da narrativa:

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“Foi um amigo que promoveu um encontro com o Thiago em São Paulo, numa tarde em que ficamos horas conversando. Eu já conhecia a dimensão da história do dele à distância, mas o relato dessa relação com o Dino, desse cruzamento existencial, da força, do significado do Dino na vida dele, me impactou muito. E aí, à medida que eu e a Helena compartilhávamos a história, ela ia entusiasmando todo mundo. Era muito motivadora no sentido de transformação, de encontro muito poderoso, uma cumplicidade que estabelece uma força única, a junção de duas almas”.

“Foi emocionante, mas também me causou uma estranheza. A ficha foi caindo aos poucos. Eu quis entender o que ele [Marcos] queria traduzir. Uma vez que eu entendi esse corte muito específico, essa relação com o Dino, eu fiquei muito emocionado e me sinto muito privilegiado de poder ter uma homenagem em vida tão representativa desse lugar, da minha arte e do mentor”, complementou Thiago, ao relembrar como foi impactado pela proposta de ter uma cinebiografia.

Em seguida, o bailarino falou sobre essa influência de Dino – que impressionou Marcos –, em sua vida, não apenas como mestre da dança, mas como figura decisiva em sua formação pessoal:

“Ele chegou na minha vida no momento em que eu estava me transformando como ser humano, e trouxe um olhar mágico. Ele acreditava muito que eu podia chegar longe, ser uma espécie da melhor versão dele. E eu precisava também dessa dureza, desse olhar de: ‘Acorda, que é só uma chance’. Ele me conduziu para esse lugar. (...) Eu sou um projeto de muitas mãos, tive muitas grandes oportunidades, pessoas que abriram portas, mas acho que o Dino foi o cara que plantou a semente do vencedor”.

Diferentemente de Marcos, Matheus Abreu contou que teve seu primeiro contato com a trajetória de Thiago apenas ao ler o roteiro. Ainda assim, a abordagem proposta pelos diretores, centrada na perspectiva entre mestre e pupilo, rapidamente o conquistou:

“Eu conheci a história do Tiago quando li o roteiro do filme. Me mandaram para eu fazer o teste e me emocionou muito. Eu fiquei até meio triste de ser brasileiro e não saber disso antes, mas pelo menos, foi uma alegria muito grande de ter acontecido dessa maneira – de poder viver isso. Essa possibilidade me deu uma gana muito grande, fui para esse teste com o sangue no olho. Eu queria muito viver isso. Só de ler já me emocionava, então eu queria fazer parte”.

Atrelada a essa emoção despertada em Matheus logo na leitura do script, Helena destacou o mérito da roteirista Camila Agostini que, com sensibilidade e precisão, soube traduzir a complexa dinâmica entre a dupla, revelando um olhar que acolhe, desafia e transforma:

“Esse olhar vem do roteiro (...) não suavizamos nada, não quisemos mudar. A relação não é punitivista. Não acreditamos nesse tipo de mentoria violenta, mas sim no tensionamento do rigor, que reconhece a singularidade do outro. A beleza da relação do Dino com o Tiago, na realidade e no filme, é exatamente esse rigor que não castra, mas que potencializa. É sobre a beleza da singularidade da rebeldia que é potencializada pela disciplina e da disciplina que é potencializada pela rebeldia”.

Posteriormente, Thiago refletiu sobre como a vivência no Rio de Janeiro, em especial nas zonas mais populares da cidade, moldou não só sua sensibilidade artística, mas também o estilo único que levou aos palcos do balé clássico:

“Eu tive um momento muito decisivo da minha vida, da minha formação de caráter como ser humano, morando na Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, que tem nas calçadas as músicas e as partituras do Noel Rosa. Então, eu andava na música (...) meus lugares de dança eram muito o Viaduto de Madureira, o Bola Preta, então, acho que essa escola do asfalto, trouxe um diferencial muito grande em mim. A cultura do tapete vermelho, do teatro lírico, dessa coisa da excelência, da elite, quando não está conectada com as raízes reais da sociedade, fica arrogante, distante (...) acho que essas cicatrizes humanizam e ensinam a gente chegar lá, a contar a história, um pouco da vida como ela é: ‘Poxa, o cara do asfalto virou um artista do teatro lírico’”.

A partir dessa conexão entre a origem popular e a linguagem do balé, os diretores ampliaram o olhar do filme para além da cinebiografia, destacando como a trajetória de Thiago também aborda, de forma sensível, temas como identidade, pertencimento e ascensão social:

“Eu estou muito apaixonada pela palavra complexo [para referir-se às temáticas] (...) na ideia de complexidade, de algo que é tecido junto. A identidade do Tiago é elaborada em muitos aspectos. Isso que nos interessou, de pensar uma biografia que é tecida através de muitas forças. Isso é a vida do Tiago, mas é também representa a vida de todos nós”, falou Helena.

“O Dino teve essas quebras de preconceito, mudança da visão de mundo, (...) para perceber o potencial daquele garoto que era de um universo completamente diferente. Então, essa ampliação de fronteiras existenciais entre os dois, também é muito interessante e torna a relação entre os dois tão forte que nos impacta”, salientou Marcos.

Para dar vida à trajetória de Thiago com autenticidade, Matheus Abreu se lançou em um processo rigoroso de imersão física e emocional. A preparação para o papel, como ele relembra, transformou não apenas seu corpo, mas também sua relação com a arte:

“A preparação foi longa, de 2018 até 2022. Mas, ininterruptamente, foram sete meses de uma preparação física muito intensa, com aulas de balé, de aerotronic, de hip-hop. Foi o filme que me trouxe esse contato com a dança (...) hoje, ela está mais do que presente na minha vida e eu não tenho vontade nenhuma de me afastar (...) minha preparação de hip-hop era um espaço público onde acontecem treinos de break dance, estive no Viaduto de Madureira (...) além de tudo, consegui conhecer a Ópera de Paris – temos uma cena do Thiago chegando nesse lugar pela primeira vez, se para ele foi impressionante, para mim foi igual. Eu fico muito feliz que a arte me faz conhecer pontos de vista e lugares diferentes, e levar um pouco da cultura brasileira para outros povos.”

De acordo com Helena e Marcos, o comprometimento de Matheus foi notável desde os primeiros ensaios – e desde o início havia uma afinidade inegável entre ator e personagem, como se o papel já o esperasse:

“É um ator extremamente sensível. Na primeira aula de balé, acho que ele já compreendeu alguma coisa do personagem e se abriu para isso. É de uma dedicação muito louvável e admirável”, disse Helena.

“Uma curiosidade na escolha do Matheus, é que ele fez o teste com vários atores e bailarinos, mas tinha alguma conexão que logo se estabeleceu, e a gente percebeu. Quando a gente fez a audição com bailarinos – independentemente de serem bons atores –, fisicamente eles não retratavam o Thiago. Então tinha que ser alguém como o Matheus, que fizesse uma preparação, porque o Thiago chegou tardiamente no balé, era um corpo talhado de uma maneira muito diferente”, terminou Marcos.

Por fim, Helena expressou sua expectativa para a reação dos espectadores ao assistirem o filme:

“Espero que o público saia do cinema dançando (...) se as pessoas saírem do cinema querendo dançar, eu acho que o nosso trabalho estará muito bem-feito".

Produzido pela TvZero, em parceria com a Globo Filmes, Riofilme, Mandrágora e Focus, “Um Lobo Entre os Cisnes” participou do 27º Festival de Cinema Brasileiro de Paris e do 34º Cine Ceará, conquistando três prêmios neste último.

Além de Abreu, diversos outros talentos conhecidos, como Darío Grandinetti, Margarida Vila-Nova, Giullia Serradas, Igor Fernandez, Ester Dias e Elvira Helena, compõem o elenco, que ainda conta com uma participação especial de Augusto Madeira – garanta seus ingressos por meio de nosso site ou app.

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