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Vale a pena fazer justiça com as próprias mãos? Confira a entrevista sobre 'Tempos de Barbárie'

Cláudia Abreu, Júlia Lemmertz e o diretor Marcos Bernstein falaram sobre o lançamento

Mariana Assumpção
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Vale a pena fazer justiça com as próprias mãos? Confira a entrevista sobre 'Tempos de Barbárie'

Na última quinta-feira (17), estreou nos cinemas do Brasil a ação "Tempos de Barbárie - Ato I: Terapia da Vingança", filme estrelado por Cláudia Abreu e Júlia Lemmertz.

Na trama, Cláudia interpreta Carla, uma advogada de classe média alta que vê sua vida desmoronar depois que sua filha é baleada durante uma tentativa de assalto. Desesperada ao ver a menina entre a vida e a morte, Carla decide caçar os responsáveis e vingar o destino da pequena Bruna (Giovana Lima) pessoalmente.

Com uma história de vingança, vista em infinitos clássicos do cinema hollywoodiano, como "Kill Bill - Volume 1" (2003) e "John Wick - De Volta ao Jogo" (2014), "Tempos de Barbárie" tem a capacidade de envolver o público nacional ainda mais. Além de trazer os marcadores típicos do gênero, o filme e a protagonista se aproximam do espectador ao explorar a realidade da violência do Brasil.

"Aproximadamente 50.000 pessoas morrem por armas de fogo no país todos os anos; 6.000 por atuação da polícia. Após o aumento de 97% no registro de novas armas, o crescimento anual de casos pulou de 0,9% para 4%".

Os dados acima, retirados do próprio filme, são o fio condutor da trama, que conversa com situações reais e lamentáveis do cotidiano nacional. Revoltada com o contexto trágico no qual está inserida, Carla decide fazer justiça com as próprias mãos, o que faz com que a personagem acabe, por vezes, praticando uma violência similar àquela infligida por seus algozes.

Contudo, será que o caminho de "dar o troco" leva a uma conclusão satisfatória? Em entrevista à Ingresso.com, Cláudia Abreu refletiu sobre a questão e sobre a ambiguidade de sua protagonista:

"Quando você está numa jornada de vingança, em algum momento, os papéis ficam invertidos. Porque a vingança ela pressupõe isso, você sai do papel de vítima quando você pratica a ação de dar o troco, de ser violenta também", aponta a atriz, sobre a personagem.

"O interessante do filme é discutir que, diante dessa violência banal que a gente vive, o que vale a pena? Vale a pena você se vingar? Comprar uma arma e fazer justiça? Todas essas discussões são importantes, e o próprio filme responde. O caminho sem volta dela, responde. Ela morreu várias vezes. A vingança te desumaniza, te deixa oca. O filme mostra o que acontece com as pessoas que acham que a solução é comprar uma arma e optar pela barbárie".

No longa, Júlia Lemmertz interpreta Natália, personagem com um passado igualmente traumático. Ela cruza o caminho de Carla ao liderar um grupo de apoio para pessoas vítimas de violência, e acaba se tornando um ponto de equilíbrio em meio ao caos vivido pela protagonista.

Embora ela tenha vivenciado algo semelhante, para Júlia, sua personagem ajuda a abrir os olhos da amiga ao longo da narrativa:

"A Natália também sofreu uma violência profunda, e tentou lidar de uma outra forma, por outro viés. Ela questiona e quase orienta a Carla nesse caminho. Ela diz: 'Não adianta matar o homem que atirou na sua filha. Quem foi que deu a arma para ele?' É uma cadeia, é uma questão social, fruto também da nossa imensa desigualdade. E a Natália, nessa questão da terapia, do grupo, mostra pra Carla o que é falar sobre essa dor comum, sobre as pessoas se olharem e saberem que não estão sós, e podem se ajudar".

"Tempos de Barbárie" é dirigido e corroteirizado por Marcos Bernstein, que escreveu, dentre tantos outros clássicos, “Central do Brasil” (1998).

Acostumado a trazer temas tipicamente brasileiros em suas obras, o novo longa não é diferente. Ele explicou o que o motivou a levar o drama para as telonas:

"Crimes que alteram a vida das pessoas são, infelizmente, muito comuns no nosso país. Um problema de décadas, que vem já do século passado, e falar isso dá um peso que essa questão merece, de fato. Ela não só piora, ela continua, permanece, se discute mas não muda o fato de que 50 mil pessoas morrem, por ano, vítimas de armas de fogo", lamenta o cineasta.

"Acho que todo brasileiro já sofreu algum tipo de violência, e isso pode despertar sentimentos que, depois de passar por um processo civilizatório, você acaba reprimindo para que a sociedade funcione. E, em algum momento, me passou pela cabeça: e se não acontecesse assim? É uma história clássica de filme de vingança, sem fugir do gênero, mas também traz essa provocação: será que vale a pena? Será que só existe uma pessoa responsável por esse estado de coisas? A pessoa, normalmente menos favorecida e que comete o crime, é a única que precisa ser apontada?", conclui Marco.

O elenco do filme ainda é composto por Alexandre Borges, César Melo, Kikito Junqueira, Pierre Santos, Adriano Garib, Claudia Di Moura e Roberto Frota. "Tempos de Barbárie - Ato I: Terapia da Vingança" segue em cartaz nos cinemas - garanta o seu ingresso por meio do nosso site ou app.

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