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‘É o personagem mais difícil que já encontrei’, diz José de Abreu sobre papel em ‘A Baleia’
Ator interpreta o protagonista Charlie no espetáculo, que já está em cartaz no Teatro Adolpho Bloch; confira a entrevista
Em cartaz no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro, o espetáculo “A Baleia” marca o retorno de José de Abreu, um dos nomes mais consagrados da dramaturgia nacional, aos palcos. Depois mais de uma década afastado - sua última aparição havia sido em 2013, na comédia “Bonifácio Bilhões”, do diretor João Bethencourt -, Zé de Abreu encara o desafio de interpretar Charlie, papel que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Brendan Fraser em 2023.
Na trama da peça, que inspirou o filme homônimo da A24, um professor recluso e com obesidade severa tenta se reconectar com sua filha adolescente. Em entrevista exclusiva à Ingresso.com, José de Abreu refletiu sobre a narrativa e como ela ganha novas camadas nos palcos:
“A profundidade, não só do Charlie, mas de todos os personagens no teatro, é muito maior que no cinema. O cinema é como uma indústria, joga para plateias imensas, para todo mundo. Lançam 200 salas no mesmo país, cinco, seis sessões por dia. O teatro, não, a gente faz quinta, sexta, sábado e domingo, só uma sessão por dia. O teatro é feito para aquela audiência, aquela plateia que vai te assistir, e não para todo mundo. Seria maravilhoso, mas aí você teria que fazer várias sessões por dia, o que é impossível, nenhum ator consegue fazer. Então, a diferença é que o Charlie do teatro é mais profundo do que o Charlie do cinema”.
O ator revelou, ainda, que mesmo após dar vida a figuras marcantes da nossa cultura, como o vilão Nilo, de “Avenida Brasil” (2012), e o Major Batista, de “O Menino da Porteira” (2009), interpretar Charlie em “A Baleia” é um dos maiores desafios de sua carreira:
“É muito difícil. É uma pessoa que está à beira da morte e você tem que encarar que ele pode morrer a qualquer momento. Representar um personagem assim, é uma coisa que exige do ator uma dose extra de dedicação. Ele mergulha nas coisas mais profundas do ser humano, navega por mares, por mim, nunca antes navegados. Sem dúvida nenhuma – e eu tenho 57 anos de teatro –, é o personagem mais difícil que eu já encontrei”, compartilhou José.
No entanto, mesmo diante do considerável esforço, o astro salienta que o processo também traz uma recompensa à altura:
“Da mesma maneira que ele [teatro] te exige, ele te dá de volta. Isso é um efeito bumerangue no teatro. Quanto mais difícil o personagem, mais ele te dá em troca”, completou.
Prometendo uma forte carga emocional e visual, a montagem brasileira de “A Baleia” investe em uma produção minuciosa para levar a trajetória de Charlie aos palcos cariocas. Para se apresentar no espetáculo, José de Abreu passa por uma transformação intensa, com o uso de prótese facial e de um figurino com enchimento e climatização, que ajudam a representar com realismo a condição física do protagonista.
Ao lado de José, o elenco ainda conta com a participação de outros talentos conhecidos, como Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni, além de uma participação especial de Alice Borges.
Com direção e tradução de Luís Artur Nunes, “A Baleia”, originalmente escrita por Samuel D. Hunter, segue em cartaz no Teatro Adolpho Bloch de quinta a domingo, até o dia 20 de julho – garanta seus ingressos por meio de nosso site ou app.
