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De Alagoas para o mundo: equipe de 'Sem Coração' relembra emoções dos bastidores em entrevista
Destaque no último Festival de Veneza, longa aclamado acaba de estrear nos cinemas do Brasil

Nesta quinta-feira (18), depois de ganhar notoriedade ao passar por diversos festivais de cinema mundo afora, o longa "Sem Coração" finalmente estreia nas telonas nacionais. Na trama, ambientada na paradisíaca praia de Guaxuma, em Alagoas, Tamara (Maya de Vicq) vive o verão de 1996 como se fosse o último - e, de certa forma, ele encerrará alguns ciclos importantes. Moradora da região desde criança, a jovem, agora na adolescência, se prepara para encarar uma mudança para Brasília, necessária para que ela se dedique aos estudos para o vestibular.
Porém, antes de partir do litoral para a capital do país, Tamara conhece a misteriosa Sem Coração (Eduarda Samara), uma menina destacada do grupo de amigos locais. A curiosidade que Sem Coração desperta em Tamara colabora para que sentimentos desconhecidos sejam acessados, fazendo com que aquele verão se torne ainda mais inesquecível.
Em entrevista exclusiva à Ingresso.com, Nara Normande e Tião, que assinam a direção do projeto, revelam que o filme foi inspirado em um curta-metragem homônimo da dupla, realizado em 2014 e premiado no Festival de Cannes. Eles explicam por que decidiram readaptar a história, uma década depois, e o que mudou nessa nova versão:
"Essas memórias da Nara em Maceió, em Alagoas, foram a base para o curta, e a gente não pensou em fazer um longa. Mas depois que a gente conheceu as pessoas do elenco, Duda, o pai, os meninos, o Galego... a gente achou que existia um universo muito mais rico e profundo do que a gente pensou", inicia Tião. Nara complementa: "As experiências que a gente viveu no curta, juntando com as minhas memórias, a ideia para o longa foi vindo naturalmente, aos pouquinhos".
Duda, apelido pelo qual a protagonista Eduarda Samara é chamada pela equipe, ajudou ativamente na construção da personagem que intitula o filme. A atriz, de 24 anos, também atuou no curta, e colaborou com o roteiro da mais recente adaptação. Ela já trabalhou em grandes sucessos recentes, como "Bacurau" (2019) e "Raquel 1:1" (2023), mas nenhum deles foi capaz de proporcionar um dos momentos mais tocantes de sua carreira: atuar ao lado de Eules Assis, seu pai em "Sem Coração" e na vida real.

Em cenas curtas, mas cuidadosamente realizadas para que a profundidade da relação não se perca, a química da dupla é potente em tela. Duda traça um paralelo entre a construção ficcional e como ela e seu pai se conectam atualmente:
"Toda a minha relação com o meu pai foi uma construção lenta, desse jeitinho que foi em 'Sem Coração'. No filme, esse pai fala muitas coisas pra filha que ele gostaria de ter dito antes, mas não teve essa liberdade, essa intimidade. E eu cresci dessa forma. Ele era uma pessoa totalmente bruta, muito por conta da forma como ele foi criado, e hoje ele é muito diferente. E ver essa mudança do meu próprio pai, refletida no filme, foi desafiador", revela Duda, bastante emocionada.
DO NORDESTE BRASILEIRO PARA O FESTIVAL DE CINEMA MAIS ANTIGO DO MUNDO
O filme, coproduzido em parceria com Itália e França, conta uma história brasileira e nordestina, mas, acima de tudo, universal. As descobertas de Tamara são típicas da adolescência, e Maya de Vicq, intérprete da personagem, pôde receber a recepção calorosa do público internacional.
A jovem atriz alagoana foi uma das representantes do elenco na última edição do Festival de Veneza, o mais antigo evento dedicado à sétima arte ainda em vigor. Durante a entrevista, Maya descreveu a emoção de ocupar um espaço tão importante, logo em sua estreia como atriz de cinema:
"Veneza foi massa!", celebra. "Eu nunca pensei em começar com uma coisa tão grande, ir pra outro país e assistir ao filme em uma tela gigantesca. Foi uma experiência inacreditável".

Outro estreante no longa é o baiano Kaique Brito, que vive Binho na produção. Aos 19 anos, ele trabalha desde 2019 com a Internet, e acumula milhares de seguidores nas redes sociais. Apesar da pouca idade, Kaique acaba de lançar "Quase Exemplar", livro protagonizado por um jovem negro e gay, bastante parecido com seu personagem em "Sem Coração".
Para ele, interpretar um homossexual maceioense foi desafiador: "Eu sou baiano, e fiquei bem inseguro durante a fase de preparação, para não ficar caricato, nem cair no estereótipo. Mas eu fiquei um mês em Maceió, e terminou sendo muito mais tranquilo do que eu esperava. Foi técnico também, peguei algumas palavras específicas para treinar, mas consegui", explica Kaique, que demonstrou interesse em cursar faculdade de cinema depois da experiência no longa.
"Sem Coração" traz uma nova geração de artistas nordestinos e reconhecidamente talentosos, e vem ganhando a visibilidade que merece. Além da participação no 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza, esteve na 47ª Mostra Internacional de São Paulo, onde recebeu o Prêmio ABRACCINE de Melhor Longa-metragem. A produção também foi premiada na 26ª edição do Festival do Rio, em 2023, nas categorias da mostra competitiva Premiere Brasil, com o Prêmio Fêlix de Melhor Filme e Prêmio Redentor de Melhor Fotografia.
O elenco ainda é formado por Alaylson Emanuel, Maeve Jinkings, Erom Cordeiro, Ian Boechat, Lucas Da Silva e Elany Santos. O filme estreou esta semana nos cinemas, como parte da iniciativa Vitrine Petrobras, que oferece ingressos a preços populares em todo o país - garanta o melhor lugar na sessão de "Sem Coração" por meio do nosso site ou app.
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