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Diretor e elenco destacam a importância de ‘As Polacas’ ao abordar a luta invisibilizada de mulheres - Ingresso.com
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Diretor e elenco destacam a importância de ‘As Polacas’ ao abordar a luta invisibilizada de mulheres

Inspirado em história real, drama segue em cartaz nas telonas 

Guilherme Thomaz
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Diretor e elenco destacam a importância de ‘As Polacas’ ao abordar a luta invisibilizada de mulheres

Nesta quinta-feira (12), “As Polacas”, o mais recente projeto do renomado cineasta João Jardim (‘Getúlio’ e ‘Janela da Alma’), estreou nos cinemas do Brasil.

Estrelado por Valentina Herszage, conhecida por seu papel como Vera, em “Ainda Estou Aqui” (2024), e Caco Ciocler, de “Olga” (2004), o drama, baseado em acontecimentos reais, aborda um capítulo pouco conhecido na história brasileira e mundial: o tráfico sexual de mulheres judias no início do século 20.

Em entrevista exclusiva à Ingresso.com, os atores analisaram alguns aspectos e particularidades que a narrativa do filme despertou em cada um, com Valentina ressaltando a sua ascendência judaica e a importância de contar a história dessas mulheres:

“Minhas bisavós vieram depois da Primeira Guerra, devido ao grande antissemitismo na Polônia. É uma história que eu já venho escutando na minha família. Minha bisavó, Raquel, veio para a Argentina, e minha bisavó Dora, veio para o Rio de Janeiro (...) então, poder estar contando a história dessas mulheres, que vinham para o Brasil em busca de uma vida melhor e chegavam aqui, muitas vezes, virando reféns de redes de prostituição... estamos falando de abuso sexual, tráfico humano, questões que acontecem até hoje.”

Valentina também deu luz a outros temas abordados pelo enredo, se demonstrando positiva quanto à recepção do público ao longa:

“Esse filme não se presta só a denunciar essa violência, mas também a cultuar a religião, o canto, a música, a união feminina, a sororidade. (...) Então, é um filme também muito bonito, esperançoso, que fala de luta pela liberdade. Eu acho que as pessoas vão se identificar, apesar de ser um filme que se passa no início do século 20.”

No longa, Caco Ciocler interpreta Tzvi, o antagonista principal, e detalhou o processo de criação e desenvolvimento desse complexo papel, marcado pela crueldade e pela manipulação:

“Ele é um personagem indefensável, minha função como ator é também denunciar esses tipos de personagens e raciocínios. Então, eu busquei defender esse personagem, sem que ele se transformasse simplesmente em um monstro, a ponto de as pessoas não sentirem a menor identificação (...), mas, como fazer com que as pessoas se identificassem com um homem tão terrível? O Tzvi tem um lado, ele é vítima também. O grande pulo do gato foi a gente denunciar não a crueldade em si, mas sim o equívoco do raciocínio machista que leva a essa violência. O Tzvi acredita que ele foi traído, que ele fazia tudo por essas mulheres, que se não fosse por ele, elas estariam passando fome. É um equívoco, um raciocínio torto. Eu acho importante que os homens olhem para isso e pensem: ‘Caramba, se eu não tomar cuidado, eu posso vir a cometer coisas horrorosas em nome desse raciocínio torto’. Então, a denúncia e a complexidade [do antagonista] foram nesse sentido, expor o quão torto é, ou pode ser, o raciocínio de um homem numa sociedade machista.”

“As Polacas” conta com diversas passagens sensíveis, incluindo uma cena de abuso sexual protagonizada pelos personagens de Caco Ciocler e Valentina Herszage. Ambos os atores, então, falaram sobre o processo de filmagem desse momento:

“A gente construiu uma relação muito íntima, de muita confiança, desde o início das preparações. Então, às vezes a gente não tem tempo até de tratar todas as cenas do roteiro, todas as nuances. Tem muita coisa que a gente descobre na ação, mas eu acho que, o que foi fundamental, foi construirmos uma troca, uma confiança, uma conversa aberta. O João Jardim, o diretor, também foi muito generoso, com uma escuta muito afiada, uma história que fala muito de mulheres. Então, ele nos dava todo o espaço para a gente poder se abrir, para a gente poder opinar também. Nós conduzimos isso muito entrelaçados, numa base de muito respeito e parceria”, revelou Valentina.

“A equipe toda era muito feminina, as câmeras, a diretora de fotografia, então a gente já tinha um filtro assim, já tinha um olhar de quem realmente produz a imagem, muito feminino. Desmistificando um pouco, eu não sei o quanto as pessoas sabem do processo do cinema, mas não é assim: ‘liga a câmera e faz a cena pesada’. É tudo decupado, tudo pensado”, disse Caco.

“A nossa fotógrafa, Louise Botkay, é uma câmera muito íntima, que chega muito perto, uma câmera viva. Então, foi incrível ter uma mulher fazendo esse trabalho, uma mulher tão talentosa que a gente admira muito. Acaba que a câmera vira um personagem do filme. Você, como espectador, se sente convidado a entrar nesse bordel e ver o que acontece ali dentro. Então, acho que isso também foi indispensável”, completou a intérprete de Rebeca.Mencionado por Valentina devido a sua generosidade nos bastidores, o diretor João Jardim, por sua vez, contou quais foram os maiores obstáculos para trazer o filme para as telonas, abordando toda a questão da precisão dos aspectos verídicos da história:

“Os maiores desafios de contar essa história são dois. Um é a questão da reconstrução histórica, um drama histórico que se passa em 1920, no Rio de Janeiro, que é uma cidade muito descaracterizada. Então teve toda uma pesquisa para tentar encontrar qual a intenção que eu estava querendo na edição e na direção para criar um filme que fosse envolvente, mas não só de uma maneira ilustrativa. A gente estava querendo criar uma atmosfera que pudesse já funcionar ali, para emocionar as pessoas, para trazê-las para dentro da história (...) e a outra coisa foi o modo de contar uma história muito violenta, emocionante, mas que envolve uma violência contra a mulher e toda uma exploração, humanizando-a, sem ser maniqueísta, sem só dizer: ‘olha que absurdo’. É um filme que você acompanha e vai se identificando com todo mundo que está ali, com o cafetão... A gente o humanizou com o sofrimento dessas mulheres. A ideia também não era demonizar a prostituição, e sim deixar muito claro que é uma experiência terrível, que não vale a pena, que não pode se repetir.”

Em seguida, a atriz Dora Freind, que dá vida à Deborah, uma das personagens mais emblemáticas da trama, compartilhou sua visão sobre a importância de evidenciar a força das mulheres em meio à dor:

“Para mim, o mais importante [de um filme dessa temática] é destacar a força, porque eu sinto que a dor ela já está dada no texto. Ela já está dada em toda a situação histórica. É algo muito doloroso, mas eu sinto que é importante para o espectador ver que essas mulheres não são apenas vítimas da sociedade, vítimas dessa opressão, que são mulheres com essa capacidade de lutar, de conseguir sair de situações que foram impostas a elas. Então, acho que para mim era muito importante honrar isso e falar dessa superação e dessa força, da personagem que não está anestesiada diante daquilo tudo. Ela está com uma consciência o tempo todo de que aquilo está acontecendo e de que ela precisa fazer de tudo para desmontar esse sistema.”

Embora ambientado no início do século 20, a temática de "As Polacas" carrega uma relevância atemporal, com o poder de enriquecer debates sobre o tráfico e a exploração sexual no mundo contemporâneo. Esses temas, que continuam a afetar inúmeras mulheres ao redor do mundo, foram abordados de maneira profunda pelo cineasta e pela atriz, que destacaram a urgência de se discutir essas questões em nossa sociedade:

“Eu sinto que é um tema ainda muito atual. Sinto que o tráfico sexual é algo que ainda acontece muito nos dias de hoje e que as mulheres ainda sofrem muito disso. Então o que eu gosto muito do filme é que ele é atemporal. A gente está falando lá de trás, mas eu acredito muito também que as coisas acontecem em ciclos. E como diria Cazuza: ‘é um museu de grandes novidades’. Acho que esse é o nosso Brasil de hoje. Então eu sinto que é muito urgente falar disso hoje, porque não é só contar uma história do passado, é também tentar reparar algo que está acontecendo agora no mundo todo”, afirmou Dora.

“Para mim, o cinema, o entretenimento, tem esse papel de levar esses assuntos que a gente lê nos jornais para o nosso inconsciente. A gente não está ali educando ninguém. O que a gente está fazendo é emocionando, levando um entendimento de uma situação para dentro da cabeça das pessoas, para dentro do coração delas. O filme é atual nisso. Ele fala de sentimentos que estão acontecendo hoje em dia, são experiências humanas, são personagens (...) eu acredito que o cinema e a dramaturgia são sobre pessoas, sobre personagens. Então, a nossa maior preocupação, era construir essas pessoas de maneira que a gente estivesse interessado no que vai acontecer com elas (...) acho que todos os meus filmes têm esse mesmo pensamento, são sempre sobre: ‘O que vai acontecer com aquelas pessoas? Por que aquilo está acontecendo? Quais são os sentimentos e motivações?’ E é isso que faz com que a história, o que está por baixo, penetre” concluiu João Jardim.

“As Polacas” acompanha a polonesa Rebeca (Valentina Herszage), uma mãe judia que chega ao Brasil fugindo da guerra na sua terra natal. Ao lado do pequeno Joseph, seu filho, ela chega ao Rio de Janeiro e se torna alvo de Tzvi (Caco Ciocler), um dono de bordel envolvido com a rede internacional de tráfico de mulheres.

O projeto, cujo argumento e a produção ficam a cargo de Iafa Britz ('Minha Mãe é Uma Peça' e 'Nosso Lar'), é livremente inspirado nas obras “El Infierno Prometido”, de Elsa Drucaroff, e “La Polaca”, de Myrtha Schalom, que contam as histórias reais de mulheres europeias, em maioria de origem polonesa, que eram enganadas com promessas de uma vida melhor ao desembarcar em países distantes, e levadas a trabalhar em prostíbulos.

Destaque nos festivais internacionais de cinema, “As Polacas” foi o vencedor dos prêmios de Melhor Diretor para João Jardim e Melhor Atriz para Valentina Herszage e Dora Freind no Festival de Punta del Leste. Caco Ciocler foi premiado como melhor ator no FESTin, em Lisboa, além do prêmio de melhor som e música no Festival de Oklahoma Cine Latino Film Festival. O longa ainda foi selecionado para a competição da Première Brasil do Festival do Rio 2023, e exibido na Mostra de São Paulo e no Festival de Chicago.

O elenco ainda é composto por Clarice Niskier, Anna Kutner, Isis Pessino, Amaurih Oliveira, Erom Cordeiro e Otavio Muller. A equipe técnica do filme, formada majoritariamente por mulheres, conta com nomes como Louise Botkay, diretora de fotografia, Camila Moussallem, diretora de arte, Mariana Sued, figurinista, e Rose Verçosa, maquiadora.

“As Polacas” já está em cartaz nos cinemas – garanta seus ingressos por meio de nosso site ou app.

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