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Entrevista: Carolina Dieckmann estrela ‘(Des)controle’, drama que aborda o alcoolismo sem tabus - Ingresso.com
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Entrevista: Carolina Dieckmann estrela ‘(Des)controle’, drama que aborda o alcoolismo sem tabus

Entrevista: Carolina Dieckmann estrela ‘(Des)controle’, drama que aborda o alcoolismo sem tabus

'A pessoa não é horrível porque voltou a beber', diz a atriz; confira o papo exclusivo com o elenco do filme

Guilherme Thomaz
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Em um belo casarão, situado na Tijuca, no Rio de Janeiro, a Ingresso.com acompanhou uma diária das filmagens de “(Des)controle”, novo filme das cineastas Rosane Svartman (‘Vai na Fé’) e Carol Minêm (‘Todo Dia a Mesma Noite’).

O longa acompanha a vida de Kátia, vivida por Carolina Dieckmann (‘Salve Jorge’), uma autora bem-sucedida de livros infantojuvenis que perde o controle da sua vida ao voltar a consumir bebidas alcoólicas depois de um longo período de abstinência.

Em entrevista exclusiva, Dieckmann detalhou o processo de construção de sua personagem, que possui um alter ego para representar sua versão mais irrestrita:

“Ah, é muito maneiro. Fazer uma personagem que contracena com a sua outra, mas que é ela mesmo... é mais do que gêmeas, né? Ela é a mesma pessoa, só que numa versão mais livre, digamos assim. Então é muito gostoso, porque você faz uma personagem sabendo que ela tem todas as questões dela e, de repente, você tira todas as questões para fazer a mesma. É doido, assim, muito doido, mas muito legal também”.

A atriz destacou o diferencial do filme ao tratar a adição ao álcool de forma sensível, fazendo com que o ponto de vista da protagonista proporcione uma imersão única no drama enfrentado:

“O filme é muito especial porque ele meio que faz a pessoa se colocar no lugar da personagem, o jeito de contar, o ponto de vista dela, tudo isso é filmado (...) Quando ela começa a beber e quando o filme tem essa virada, o espectador já sabe quem é essa mulher, como ela é, compreendeu a maneira como ela enxerga a bebida na vida dela. Na maioria dos filmes, o alcoolismo é tratado como algo apenas ruim (...) aí você fica assim: ‘Mas se é uma coisa tão ruim, por que a pessoa bebe?’ - eu acho que essa é sempre a lacuna dos filmes, convidar o espectador a pensar no motivo (...) não justifica, não é para justificar. É para gente entender o que que ocasiona uma pessoa a fazer isso”.

Dieckmann ainda falou sobre a recaída de sua personagem, um dos momentos mais críticos do alcoolismo, frequentemente causado pela falsa sensação de controle, tema central do filme:

“Outra coisa que a gente também conta com essa personagem, ela volta achando que ela vai controlar. Quantas pessoas têm recaída porque acham que já ficaram tanto tempo sem beber, que já vão controlar aquilo? A pessoa não é horrível porque voltou a beber (...) existem milhões de pessoas que param de beber de maneiras diferentes, são milhões, não existe uma receita de bolo, não é todo mundo que bebe pelo mesmo motivo, não é todo mundo que para pelo mesmo. No filme, a gente retrata essa ambiguidade, essa dificuldade das pessoas de entender que o alcoolismo é uma doença. Então quando ela [Kátia] volta a beber, quando ela tem uma recaída, ela não recai e começa do nível zero. Ela começa do nível onde ela parou. E é por isso que a recaída é tão perigosa.”

Descrito como uma dramédia,"(Des)controle” conta com uma surpreendente reviravolta entre os gêneros, conforme mencionado por Dieckmann, que altera completamente a tonalidade das cenas e promete impactar os espectadores. Essa drástica mudança também foi abordada por Caco Ciocler (‘As Polacas’), intérprete do ex-marido de Kátia no longa:

“O roteiro tem uma característica muito legal, que assim, ele parece que é um filme sobre uma coisa e na verdade é sobre outra. Acho que a questão da adição é um pouco assim, a gente nunca sabe qual é o ponto de virada, que deixa de ser uma história e passa a ser outra. Eu lembro de quando eu li o roteiro no começo e uma hora eu falei: ‘Uau’. Perguntei ao Daniel se a gente podia adiantar um pouco esse ponto, que eu achei que demorava um pouco demais e ele teve a mesma sensação. Então, depois do ajuste, eu acho que o filme adquiriu essa característica (...) uma comédia que, de repente, vira completamente”.

A produção ainda conta com nomes consagrados do cinema brasileiro, como Daniel Filho (‘A Cabana do Pai Tomás’) e Irene Ravache (‘Guerra dos Sexos’), que vivem os pais da protagonista. Ambos destacaram o prazer de trabalhar no projeto, potencializado pela troca de experiências:

“Eu realmente sou um viciado em set, eu descobri isso, eu gosto de set. Até me enche o saco quando começa a filmar, eu prefiro ficar batendo papo, eu gosto de conversar esperando para rodar. Aí quando eu vi que era com a Irene, eu falei para Iafa Britz [produtora]: ‘Em vez de eu fazer o Daniel Filho, eu quero fazer esse papelzinho’. E para mim está sendo muito agradável”, compartilhou o ator, que inicialmente foi convidado para interpretar ele mesmo na trama.

“Tem sim [algo especial]. Mas não é uma coisa, é um conjunto. É o roteiro, quem vai dirigir, com quem você vai trabalhar. O roteiro te mostra um tipo de história que te agrada ou não, independente de ele ser bom. Às vezes, você não gosta da história, do que não está sendo contado, o que não é o caso: aqui, tem tudo.”, disse Irene.

A presença da dupla foi celebrada por Dieckmann e Caco, que não esconderam a admiração pelos veteranos e falaram da sensação de contracenar com eles:

“É muito privilégio. Não só por serem atores totalmente consagrados, incríveis e experientes, que trazem coisas que a gente só pega com o tempo – tem coisas na atuação, principalmente, que você leva tempo. Então, você pega um ator que tem, sei lá, 40 anos a mais de vida e de história que você, ele tem coisas que nem que você queira repetir, você não consegue, né? Precisa de um tempo. Fora a parte toda do trabalho, tem a parte da convivência. É assim, eu quase que esqueço ali de fazer a cena, olhando-o [Daniel] contando as histórias”, contou Carol.

“A gente finge que está tudo bem, né. A gente finge que é normal. Eu fico muito tenso com pessoas assim, sabe? Muito. Eu sei que é desagradável a gente ficar 'tietando', então eu fico me segurando, fico fingindo que tudo bem, mas é mentira. Nós só estamos aqui por conta deles”, brincou Caco.

Produzido por Iafa Britz ('Minha Mãe É Uma Peça' e 'Nosso Lar'), da Migdal Filmes, “(Des)controle” tem roteiro assinado por Felipe Sholl, em colaboração com Bia Crespo e Gabriel Meyohas. O longa ainda conta com Rafael Fuchs e Stefano Agostini no elenco, e chega em breve aos cinemas do Brasil.

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