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Conheça ‘Fantasmas de Hiroshima’, novo filme de James Cameron
Baseado no livro de Charles Pellegrino, longa promete abordagem sensível sobre os bombardeios atômicos no Japão durante a Segunda Guerra Mundial
Atualmente em cartaz com “Avatar: Fogo e Cinzas”, o diretor James Cameron já tem um próximo e ambicioso projeto em vista: “Fantasmas de Hiroshima”, longa que pretende revisitar um dos episódios mais devastadores da história mundial ao retratar os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.
O longa será baseado no livro homônimo de Charles Pellegrino, lançado em agosto de 2025, em homenagem aos 80 anos do acontecimento. A obra reúne anos de pesquisa arqueológica forense, combinada com entrevistas com os mais de duzentos sobreviventes e familiares das vítimas, trazendo um relato realista de pessoas comuns envolvidas em eventos extraordinários, durante os quais a civilização moderna entrou em sua fase mais desafiadora.
“Fantasmas de Hiroshima” marcará um momento significativo na carreira de Cameron. O projeto será seu primeiro longa fora da franquia “Avatar” em 15 anos e, segundo o próprio diretor, um dos maiores desafios que já enfrentou, justamente por se tratar de uma obra menos comercial. Em entrevista à revista Rolling Stone, ele destacou a delicadeza necessária para abordar o tema:
“Se eu fizer meu trabalho corretamente, todo mundo vai sair dos cinemas em horror depois dos primeiros vinte minutos, então, esse não é o ponto. Eu tenho que contar [essa história] de uma maneira que seja sensível. A tarefa é contar do mesmo jeito com que o livro faz, engajando e te fazendo se projetar na realidade daquela pessoa por um momento, fazendo você sentir empatia por eles”.
A ideia de transformar a obra em um filme surgiu ainda em 2024, quando Cameron adquiriu os direitos do livro antes mesmo da sua publicação. Na época, em entrevista ao portal Deadline, o diretor revelou o desejo antigo de levar essa história às telonas:
“É um assunto que sempre quis transformar em filme, algo com o qual estive lutando para descobrir como fazer ao longo dos anos”.
Em agosto de 2025, durante entrevista ao portal Discussing Film, Cameron voltou a falar sobre sua conexão pessoal com o tema, revelando que a ideia do filme o acompanha há muito tempo:
“É uma história que tem me fascinado desde muito jovem, desde os tempos de escola, quando li o livro de John Hersey sobre Hiroshima. É um relato em primeira mão do que ele viu quando chegou lá após o bombardeio em 1945”.
O diretor também refletiu sobre como essa obsessão se manifestou ao longo dos anos, em sua filmografia:
“Você pode observar que trabalhei de forma quase catártica as imagens que aquele livro evocava, como em ‘O Exterminador do Futuro’ e ‘O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final’, mais especificamente nos efeitos das bombas no segundo filme, quando Linda Hamilton é incinerada e depois atingida pela onda de choque. Então, sim, isso está na minha cabeça há muito tempo”.
Na ocasião, o diretor também comentou sobre a experiência de falar pessoalmente com Tsutomu Yamaguchi, engenheiro marítimo, e um dos raros sobreviventes que esteve presente tanto em Hiroshima quanto em Nagazaki, assim como sua promessa de que manteria a história do japonês viva, um pouco antes de seu falecimento:
“Eu queria que ele me contasse a história dele do seu jeito. Ele foi um dos poucos sobreviventes que era adulto na época dos eventos [...]. Então, falar com alguém que estava em sua juventude durante tanto Hiroshima e Nagasaki e se lembrava tão distintamente dos fatos, foi inestimável”, falou e acrescentou: “Eu não sabia que falar com ele, levaria a esse tipo de comprometimento, mas tudo bem; a vida te leva onde precisa. Fez sentido fazer aquela promessa para ele, porque eu sabia que era algo que eu já tinha decidido fazer, em meu coração”.
Por fim, Cameron destacou que sua intenção ao fazer o filme é provocar reflexão e empatia no público, especialmente diante do uso de armas nucleares:
“Meu filme deve ser bem-sucedido ao evocar que qualquer um pode ser um alvo, qualquer um que você pense que é justificável usar uma arma contra, é um ser humano. Eles estão nesse planeta com as mesmas regras que temos; a necessidade de amor, família e de serem cuidados. Mesmo com seus defeitos e agressões, quaisquer que sejam, no fim de tudo, eles são pessoas como nós. Espero que esse filme possa fazer esse argumento e mostrar as pessoas o horror que é usar essas armas”.
Até o momento, Cameron confirmou apenas que o roteiro de “Fantasmas de Hiroshima” já está finalizado, no qual trabalhou com Pellegrino servindo de consultor histórico, como aconteceu anteriormente tanto em "Titanic" (1997), também baseado em um livro do autor, quanto em “Avatar” (2009), onde o escritor atuou como consultor científico.
Demais informações sobre “Fantasmas de Hiroshima”, como nomes para o elenco, data de início das filmagens ou lançamento, ainda não foram reveladas.
