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Como ‘A Useful Ghost – Uma Ajuda do Além’ se diferencia dos demais filmes de fantasma?
Selecionado para representar a Tailândia na disputa por uma vaga no Oscar 2026, o longa já está em cartaz nos cinemas

Nesta quinta-feira (8), às telonas brasileiras receberam a aguardada estreia de “A Useful Ghost – Uma Ajuda do Além”, primeiro longa-metragem do diretor Ratchapoom Boonbunchachoke.
Na trama, Davika Hoorne interpreta o espírito de uma mulher que, após morrer de uma doença respiratória, “encarna” em um aspirador de pó para proteger seu marido, quando ele começa a demonstrar os mesmos sintomas.
A produção promete trazer uma releitura singular da figura do fantasma no cinema, afastando-se da lógica tradicional de terror para adotar uma abordagem marcada pelo absurdo e por uma sensibilidade inesperada, ao incorporá-lo em um objeto doméstico e inanimado.
Ainda assim, diante da vasta quantidade de histórias produzidas em torno de assombrações, é natural surgirem alguns questionamentos quanto ao que faz do novo longa realmente único. Afinal, subverter um ícone tão estabelecido na cultura pop exige mais do que inversões cômicas ou estética excêntrica: é necessário apresentar aos espectadores uma perspectiva que reconstrua o mito de maneira inédita e inusitada.
QUAL O GRANDE DIFERENCIAL DE “A USEFUL GHOST – UMA AJUDA DO ALÉM”?
Em uma entrevista recente ao portal Gold Derby, Boonbunchachoke afirmou que a função tradicional atribuída aos fantasmas na indústria lhe parecia desgastada e, por isso, decidiu explorar um novo nível de imaginação do público:
“Eu gosto do absurdo. Na maioria dos filmes, os fantasmas existem para assustar as pessoas e eu me cansei disso. Queria imaginar o que eles fariam se não tivesses que ser assustadores – se precisassem de um empregou, lidar com a burocracia ou até mesmo se apaixonar”.
Logo em seguida, o cineasta detalhou o processo criativo que o levou a materializar a personagem em um item do cotidiano, explicando, de forma bem-humorada, como essa decisão dialogou diretamente com a narrativa e a logística do longa:
“Então, comecei a pesquisar como o cinema mostra os fantasmas - translúcidos, flutuando, pele pálida -, e percebi que seria mais interessante se fosse reduzido a um objeto. Ela [personagem] morreu por causa da poluição por poeira, então, ter um aspirador de pó fazia todo o sentido. Além disso, em termos de logística, foi mais fácil do que uma máquina de lavar”.
Em outra oportunidade, falando ao portal francês Semaine dela Critique do Festival de Cannes, Boonbunchachoke ainda ressaltou como suas referências e desejos pessoais moldaram a identidade do projeto:
“Incorporei meus diversos interesses no filme. Minha abordagem sempre foi mesclar e justapor o grande e o pequeno, o sério e o bobo, a história coletiva e a questão pessoal. Durante a pré-produção, ao me comunicar com os chefes do departamento, usei consistentemente as expressões ‘elegante perverso’ e ‘elegância pervertida’ para descrever minha visão. Eu queria algo que parecesse refinado superficialmente, mas que escondesse algo lúdico e subversivo por baixo. O que me cativa é o inesperado: filmes que abordam temas sérios com ludicidade ou que tratam de assuntos leves com profundidade e sofisticação”, completou.
Desenvolvido por meio de uma parceria entre 185 Films, Tsixtysix, Haut les Mains Productions, Mayana Films, Momo Film Co e N8 Studios, o longa foi escolhido como o representante da Tailândia na disputa por uma vaga no Oscar 2026.
Além de Hoorne, diversos outros talentos compõem o elenco, como Apasiri Nitibhon, Wisarut Himmarat, Wanlop Rungkumjad e Thityanan Phoungbut.
Com um roteiro assinado pelo próprio Boonbunchachoke, ao lado de Geoffroy Grison, “A Useful Ghost – Uma Ajuda do Além” foi lançado mundialmente na Semana da Crítica de Cannes, onde conquistou o Grand Prix da mostra – garanta seus ingressos por meio de nosso site ou app.
