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Dias 06 e 07/08, Quinta-feira e Sexta-feira: 19h00 às 22h00
Quando lemos os textos do escritor e dramaturgo russo Anton Tchekhov, logo vemos que ele não escreve com a perfumaria das cenas grandiloquentes e ornamentadas. As cenas do teatro de Anton Tchekhov são aparentemente comuns. Mas, de algum modo muito enigmático, são imagens profundamente tocantes e delicadas. Uma mesa que é posta, uma toalha branca que é estendida, um prato com groselhas, um cachimbo que alguém acende, o céu que de repente se torna cinza, as árvores úmidas, um mobiliário simples, o ar com cheiro de pão de centeio e vodca. Quadros da vida que parecem ter um aroma límpido e natural.
Mas não nos enganemos. A simplicidade em Tchekhov é uma máscara. Como em todo bom teatro, tudo é um jogo de ilusões e disfarces. Por trás de cada frase aparentemente banal, um mundo oculto. Debaixo de cada observação sobre o clima, uma melancolia. Por trás da alegria, a aflição e o desespero. Há sempre algo de triste na felicidade humana, ele dizia. Uma mescla difusa, azeda e doce.
Que força surda é essa que nos incomoda quando lemos Tchekhov? Que faz parecer que olhamos a vida acontecendo diante de nós pela moldura do palco? Com toda a nossa ignorância, nossa ociosidade e rudeza, mas também nossas paixões, nossos amores secretos, nossa busca pelo conforto e pelo fim das dores que sentimos. Nossos ideais e nossas bobagens, nossos mortos, os gritos que nunca damos, nossas hipocrisias, mentiras e sonhos.
Um teatro sem desfecho. Uma cena sem finalidade.
A ideia deste curso é ler Tchekhov como tentativa de escaparmos dos nossos determinismos, sem interpretações morais e sem definições claras. Convidamos para um passeio contemplativo pela obra de um artista que odiava a mentira e a violência dos discursos cheios de certezas. Um poeta da prosa dramática, que preferia, acima de tudo, batalhar para achar a honestidade em suas obras. Sem a tentação de falsificar.
É isso que iremos buscar nas nossas duas aulas sobre o autor. Como lê-lo com calma? Como trabalhar a partir de seus textos teatrais, seus tons amenos, sua escuta aguçada e seu tempo alargado? Como podemos achar em Tchekhov uma fuga dos excessos de estímulos visuais, sonoros, cognitivos, que assolam e disputam à força nossa atenção? Vamos trabalhar em alguns exercícios de leitura, uma investigação do tempo e do silêncio. Entre a nostalgia irrecuperável do passado e a idealização fantasiosa do futuro. O que nos interessa é a opacidade, o tédio das horas, a nossa incapacidade de lidar com o vazio. Como desenhar figuras neste pano invisível da vida? Como no Elefante branco de Drummond, ensaiamos costurar neste tecido algumas imagens: uma flor, uma moça, uma nuvem, uma torre, um cão, um túmulo.
“Só coloque em cena o que for importante e eterno”
PÚBLICO ALVO: